sexta-feira, 31 de julho de 2020

Recursos semânticos expressivos (antítese, personificação, metáfora e metonímia)

Identificar recursos semânticos expressivos (antítese, personificação, metáfora e metonímia)

A seguir, estão dispostas várias sentenças que constituem metáforas: uma figura de linguagem que descreve um objeto ou uma qualidade de uma maneira não literal, e ajuda a explicar uma ideia geral sobre algo ou alguém. Escolha 4 frases e faça ilustrações que representem o que elas expressam.

1. A casa deles era uma prisão. (você pode desenhar uma casa onde as pessoas ficam trancadas sem poder sair por muito tempo, como a quarentena pela qual estamos passando)
2. Seu irmão é um monstro! (desenhe alguém muito malvado, perverso, egoísta)
3. Você é um palhaço! (desenhe alguém muito engraçado e simpático)
4. A vida dela é um conto de fadas. (ilustre uma vida feliz, agradável e sem problemas)
5. Seu coração é feito de pedra! (ilustre alguém muito frio, indiferente, que não demonstra emoção ou piedade)
6. Sua amiga é uma cobra! (desenhe alguém falso e traiçoeiro, que finge e mente)
7. Meu relacionamento é um campo de batalha! (ilustre um relacionamento conturbado, com muitas brigas e falta de harmonia)
8. Meu pai é uma fera. (desenhe alguém muito bravo ou mal humorado)


1. Leia o texto explicativo e responda ao que se pede:
Símbolo Universal de Acessibilidade da Organização das Nações Unidas (ONU)
Desenhado pela Unidade de Desenho Gráfico do Departamento de Informação Pública das Nações Unidas, em Nova York, a pedido da Divisão de Reuniões e Publicações do Departamento de Assembleia Geral e Gestão de Conferências das Nações Unidas. Inclui a acessibilidade à informação, serviços, tecnologias de comunicação, bem como o acesso físico. O logotipo simboliza a esperança e a igualdade de acesso para todos. Ele foi revisto e selecionado pelos Grupos Focais sobre Acessibilidade, trabalhando com a Força-Tarefa Internacional sobre acessibilidade no Secretariado das Nações Unidas. O grupo é composto por organizações da sociedade civil eminentes, incluindo as organizações das pessoas com deficiência, tais como o Disability Alliance International, Rehabilitation International, Leonard Cheshire Internacional, Human Rights Watch, entre outros. Esta figura humana universal com os braços abertos simboliza inclusão para as pessoas de todos os níveis, em todos os lugares.
 
Responda: O símbolo criado pela ONU pode ser considerado uma metonímia?
Sim, é uma metonímia porque o desenho de uma figura humana foi usado para representar todas as pessoas, de diferentes níveis e lugares.
No caso, temos a metonímia "a parte pelo todo".


2. Leia o poema de Manuel Bandeira e responda ao que se pede:
O BICHO

VI ONTEM UM BICHO 
NA IMUNDÍCIE DO PÁTIO
CATANDO COMIDA ENTRE OS DETRITOS.

QUANDO ACHAVA ALGUMA COISA 
NÃO EXAMINAVA NEM CHEIRAVA: 
ENGOLIA COM VORACIDADE.

O BICHO NÃO ERA UM CÃO 
NÃO ERA UM GATO, 
NÃO ERA UM RATO.

O BICHO, MEU DEUS! ERA UM HOMEM.

a) Nas primeiras estrofes do poema, o poeta descreve a presença de um bicho. Que bicho é esse?
O bicho parece ser um animal abandonado, desses que ficam revirando o lixo em busca de comida.
No fim, descobrimos que era um ser humano.

b) A revelação sobre o bicho causa qual efeito no poeta/observador? Comprove com elementos do texto.
A revelação sobre o bicho provoca revolta e indignação no poeta/observador, como ele deixa transparecer pela expressão "meu Deus!".

c) O poema foi publicado em 1947. Ele ainda é um poema atual? Por quê?
Sim, ele ainda é um poema atual, pois ainda há muitas pessoas que vivem em situação de miséria, retirando alimentos e seu sustento do lixo.

3. Leia o poema de Manuel Bandeira:
ANDORINHA
ANDORINHA LÁ FORA ESTÁ DIZENDO:
— PASSEI O DIA À TOA, À TOA!
ANDORINHA, ANDORINHA, MINHA CANTIGA É MAIS TRISTE!
PASSEI A VIDA À TOA, À TOA.

O poema apresenta uma figura de linguagem, a personificação: quando características/habilidades de seres humanos são desempenhadas por outros seres, no caso, a andorinha tem fala. Compare os versos: “Passei o dia à toa, à toa” e “Passei a vida à toa, à toa”. O que eles revelam sobre a vida desses seres?
"Passei o dia à toa, à toa" revela que a andorinha leva uma vida livre, leve e agradável.
"Passei a vida, à toa, à toa" revela que o poeta não tem uma vida plena, viveu em vão, inutilmente, sem propósito ou conquistas.

4. Leia a primeira estrofe da canção de Adoniran Barbosa:
SAMBA DO ARNESTO 
O ARNESTO NOS CONVIDÔ PRUM SAMBA
ELE MORA NO BRÁS NÓIS FUMOS,
NUM ENCONTREMOS NINGUÉM
NÓIS VORTEMOS CUMA BAITA DUMA RÉIVA
DA OUTRA VEIZ NÓIS NUM VAI MAIS [...]

Observe nessa coletânea de exercícios o modo como a língua portuguesa é usada para transmitir diferentes mensagens para diferentes interlocutores/leitores. Isso acontece em todos os tempos, em todos os estilos: no rap, no funk, no sertanejo, no forró, etc. Pesquise no seu repertório cultural (nas canções que você ouve, cantarola ou toca) uma canção ou poema que use a língua portuguesa de modo poético, intrigante. Copie a letra ou estrofe no caixa de texto a seguir. Não se esqueça de anotar a fonte (site e autor) de onde você retirou seu texto!
Resposta pessoal.
Sugestão: Como a questão pede uma canção que use a língua portuguesa de modo poético, intrigante, você deve escolher canções que apresentem figuras de linguagem, como metáforas, metonímias, personificações, etc.

Relações de causa/consequência entre informações subentendidas ou pressupostas

Estabelecer relações de causa/consequência entre informações subentendidas ou pressupostas distribuídas ao longo do texto.

1. Observe a imagem da campanha de conscientização disponibilizada pela Polícia Militar:

A partir das ideias retiradas da propaganda, estabeleça as relações de consequência, respondendo às questões abaixo:
a) Se beber não dirija, passe as chaves para o motorista da vez. Por quê?
Porque dirigir alcoolizado pode causar acidentes, além de ser crime, sujeito à multa ou prisão.

b) Identifique suas crianças e oriente-as a procurar um Policial, se necessário. Por quê?
Porque isso ajuda as crianças a encontrarem seus pais ou responsáveis casos elas se percam no meio da multidão.

c) Mantenha-se afastado de brigas e confusões. Por quê?
Porque isso pode causar ferimentos e até mortes.

d) Evite transitar a pé com bolsas, carteiras, telefones celulares e relógios à mostra. Por quê?
Porque isso pode atrair furtos e assaltos.

2. (SARESP- Adaptada): leia o texto:
Qual o impacto ambiental da instalação de uma hidrelétrica?
É um estrago e tanto. Na área que recebe o grande lago que serve de reservatório da hidrelétrica, a natureza se transforma: o clima muda, espécies de peixes desaparecem, animais fogem para refúgios secos, árvores viram madeira podre debaixo da inundação… E isso fora o impacto social: milhares de pessoas deixam suas casas e têm de recomeçar sua vida do zero num outro lugar. [...]
No texto, o autor defende a ideia de que:
a) Os danos causados pela construção de uma hidrelétrica são enormes.
b) A construção de uma hidrelétrica não causa danos ambientais.
c) A construção de uma hidrelétrica não causa impacto social às comunidades.
d) Os danos causados são mínimos e rapidamente superados.
=> O texto já começa respondendo a pergunta do título de modo bem enfático: "É um estrago e tanto".
O autor aponta como consequências de construção de uma hidrelética impactos ambientais e sociais.

3. Leia o texto:
A Gansa e os Ovos de Ouro
Um homem e sua mulher tinham a sorte de possuir uma gansa que todos os dias punha um ovo de ouro.
Mesmo com toda essa sorte, eles acharam que estavam enriquecendo muito devagar, que assim não dava... Imaginando que a gansa devia ser de ouro por dentro, resolveram matá-la e pegar aquela fortuna toda de uma vez. Só que, quando abriram a barriga da gansa, viram que por dentro ela era igualzinha a todas as outras.
Foi assim que os dois não ficaram ricos de uma vez só, como tinham imaginado, nem puderam continuar recebendo o ovo de ouro que todos os dias aumentava um pouquinho sua fortuna.
Não tente forçar demais a sorte.
Fonte: Domínio Público. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/me001614.pdf>. Acesso em: 27 maio. 2020.

O camponês e sua esposa foram chamados de tolos porque:
a) Venderam a gansa dos ovos de ouro.
b) Perderam o sustento que haviam garantido.
c) Acharam que a gansa era igual às outras gansas.
d) Mataram a gansa que botava ovos de ouro.
=> O camponês e sua esposa mataram a gansa porque pensavam que ela era feita de ouro, assim como os ovos que ela colocava, mas ela era de carne assim como as outras. Então, eles perderam a fonte da sua riqueza.

4. (SARESP- Adaptada) Leia o texto:
Turismo >>>>> Cultura >>>>> Música
As opções culturais no Estado de São Paulo, em especial na capital, são inúmeras e atendem a todos os gos- tos e bolsos. Há desde exposições e espetáculos ao ar livre, até museus de renome internacional, e teatros que abrigam eventos de enorme sofisticação.
São Paulo acolhe, durante todo o ano, as melhores e mais diversificadas programações culturais, como as mais respeitadas orquestras, óperas, balés, exposições e espetáculos de todo o mundo. A Osesp – Orquestra Sinfônica do Estado –, considerada referência na América Latina, é uma das principais atrações da cidade. Se você aprecia arte e cultura, venha visitar São Paulo!

O texto publicado pretende:
a) Apresentar a Osesp, Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, referência na América Latina.
b) Apresentar as atividades culturais da cidade de São Paulo, atraindo mais turistas.
c) Listar todas as atrações culturais da cidade de São Paulo.
d) Apresentar apenas as atividades com preços acessíveis.
=> A citação a Osesp é apenas um exemplo de atração turística. Além disso, o texto não lista TODAS as atrações culturais nem divulga os preços dessas atrações.

5. (SARESP- adaptada) Leia o texto:
 DICAS PARA ESTUDAR
Onde fica a matéria?
A matéria estudada deve estar em toda parte. Fórmulas penduradas, folhetos curtos no banheiro, peque- nos cartazes no quarto.
Aula ajuda!
Demonstre uma parte da matéria para um colega e o colega demonstra a parte dele da matéria para você.
Estudar em equipe anima quando há participação, e um ajuda o outro a não desistir.
Ler e entender.
Leia e entenda o que leu. Só a decoreba não vale muito porque, na hora do exame, dá um branco e a decoreba é a primeira a sumir da mente.
Faça lembretes.
Continue fazendo as colas, os lembretes (não para usá-los na prova, mas como um meio de treinamento).
Para quem não gosta de ler, estudar por meio da cópia é bom. Faça resumos.

O uso de uma linguagem mais coloquial, ou seja, mais próxima da fala, revela que a autora:
a) Não se preocupou com o leitor do seu texto.
b) Desconhece as regras da norma culta da língua portuguesa.
c) Pretende aproximar-se do leitor, facilitando sua compreensão do texto.
d) Utilizou-se de uma língua que não é a língua portuguesa.
=> O uso da linguagem mais coloquial aproxima o texto do leitor, pois torna a leitura mais fácil e agradável, já que utiliza uma forma de falar mais espontânea e próxima da fala.

Informação pressuposta ou subentendida

Inferir informação pressuposta ou subentendida, com base na compreensão global de um texto.

Leia atentamente o texto a seguir e responda aos exercícios de 1 a 3.
1. A propaganda informa que:
a) A dengue está extinta no Brasil.
b) O mosquito da dengue vive apenas em tonéis e pneus.
c) O estado de São Paulo se mobilizará no mês de fevereiro.
d) O mosquito da dengue aparece em caixas d’água.

2. Na frase “A mobilização será realizada ao longo de todo mês de fevereiro”, a palavra sublinhada sugere que:
a) A dengue é uma doença que só manifesta no verão.
b) As ações serão realizadas simultaneamente em todas as cidades do estado no mês de fevereiro.
c) Durante o mês de fevereiro, a população não precisa se preocupar com o combate ao mosquito.
d) Os cuidados para combater o Aedes Aegypti são desnecessárias.
=> O termo "mobilização" sugere um esforço conjunto de toda a população e de várias ações de combate à dengue.

3. A associação da imagem com o texto verbal pretende:
a) Mostrar aos cidadãos que o combate à dengue é um ciclo contínuo.
b) Estimular a proteção contra as doenças do verão.
c) Incentivar o turismo saudável no verão.
d) Mostrar que o sol faz mal à saúde.
=> Na imagem, vemos o desenho que sugere um ciclo em se lê a mensagem principal do cartaz: "Plano estadual de combate ao Aedes".

Leia o texto para as questões 4 e 5:

4. A expressão “Livre-se daquele pneuzinho” refere-se:
a) Aos exercícios físicos que devem ser praticados.
b) Ao reaproveitamento do material.
c) Ao aumento de peso dos homens.
d) A um dos criadouros dos mosquitos.
=> O diferencial do cartaz está justamente no novo sentido dado à expressão "perder um pneuzinho", que geralmente é associado à perda de gorduras abdominais. Mas aqui, pelo contexto, "pneu" se refere a um dos principais criadouros do mosquito Aedes Aegypti.

5. O texto publicitário organiza-se em torno da ideia de que a população:
a) Deve esterilizar caixas d’água e tonéis.
b) Não está mais sujeita à doença nos últimos anos.
c) Pode armazenar pneus nos quintais.
d) Precisa eliminar os criadouros do mosquito.
=> A mensagem central "livre-se daquele pneuzinho" sugere que a população deva se desfazer dos pneus, um dos criadouros de mosquitos.

Leia o texto abaixo, publicado no site da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, para responder à questão que segue:
Diretoria de Pindamonhangaba fecha parceria com rádio 
para informar alunos da zona rural

A ideia é atingir e informar os estudantes das escolas das zonas rurais sobre a programação semanal da Seduc no Centro de Mídias
A partir de 9 de junho a rádio Princesa 107,1, de Pindamonhangaba, vai transmitir diariamente, por cinco minutos, orientações pedagógicas aos alunos, informações gerais da Seduc e sobre o CMSP, como tentativa de atingir os estudantes que residem nas áreas rurais da cidade. Já a rádio Ótima FM, transmitirá apenas in- formativos na programação.
De acordo com o Professor Coordenador do Núcleo Pedagógico de Filosofia e Sociologia, Tiago da Cunha Fernandes, a ideia é consolidar uma comunicação com as comunidades que estão desconectadas e com dificuldades de acesso à informações.
“A gente fez uma programação para estes cinco minutos diários na 107,1, por tempo indeterminado. Às segundas, quartas e sextas teremos um momento informativo da Diretoria de Ensino de Pinda para frisar a programação semanal da Seduc no Centro de Mídias e informar o nosso ensino de aprendizagem e organização estratégica de entrega de materiais, por exemplo. Já às terças e quintas, serão dadas orientações pedagógicas para os professores e alunos”, ressalta o professor.
O dirigente de ensino de Pindamonhangaba, Luis Gustavo, reforça a participação e o envolvimento dos PCNPs das áreas. “Iniciaremos com pauta de Humanas e Linguagens e depois Ciências da Natureza e Matemática. As pautas iniciais são elaboradas pelos professores coordenadores e depois por professores da rede. As pautas informativas serão gravadas e vão orientar sobre o uso do CMSP, dos canais de TV, das retiradas de materiais, onde encontrar as reprises das aulas do CMSP, como participar de projetos que estamos trabalhando”, comenta.

6. Após a leitura do texto acima, é possível inferir que:
a) Muitos alunos do Estado de São Paulo, sobretudo os que moram na zona rural, não têm acesso à internet.
b) Os estudantes da zona rural gostam de usar mais o rádio do que a internet para se informar.
c) O rádio é um meio de comunicação usado por poucas comunidades paulistas.
d) A internet não é um meio de comunicação importante para se informar.
=> Como a maior parte dos estudantes da zona rural não tem acesso à internet, foi criado o programa de orientações pedagógicas por meio de uma rádio. Segundo o texto, "a ideia é consolidar uma comunicação com as comunidades que estão desconectadas e com dificuldades de acesso à informações."

Leia a lenda indígena abaixo:
AS LÁGRIMAS DE POTIRA
Muito antes de os brancos atingirem os sertões de Goiás, em busca de pedras preciosas, existiam por aquelas partes do Brasil muitas tribos indígenas, vivendo em paz ou em guerra e segundo suas crenças e hábitos.
Numa dessas tribos, que por muito tempo manteve a harmonia com seus vizinhos, viviam Potira, menina contemplada por Tupã com a formosura das flores, e Itagibá, jovem forte e valente.
Era costume na tribo as mulheres se casarem cedo e os homens assim que se tornassem guerreiros. Quando Potira chegou à idade do casamento, Itagibá adquiriu sua condição de guerreiro. Não havia como negar que se amavam e que tinham escolhido um ao outro. Embora outros jovens quisessem o amor da indi- azinha, nenhum ainda possuía a condição exigida para as bodas, de modo que não houve disputa, e Potira e Itagibá se uniram com muita festa.
Corria o tempo tranquilamente, sem que nada perturbasse a vida do apaixonado casal. Os curtos períodos de separação, quando Itagibá saía com os demais para caçar, tornavam os dois ainda mais unidos. Era admirável a alegria do reencontro!
Um dia, no entanto, o território da tribo foi invadido por vizinhos cobiçosos, devido à abundante caça que ali havia, e Itagibá teve que partir com os outros homens para a guerra.
Potira ficou contemplando as canoas que desciam rio abaixo, levando sua gente em armas, sem saber exatamente o que sentia, além da tristeza de se separar de seu amado por um tempo não previsto. Não chorou como as mulheres mais velhas, talvez porque nunca houvesse visto ou vivido o que sucede numa guerra.
Mas todas as tardes ia sentar-se à beira do rio, numa espera paciente e calma. Alheia aos afazeres de suas irmãs e à algazarra constante das crianças, ficava atenta, querendo ouvir o som de um remo batendo na água e ver uma canoa despontar na curva do rio, trazendo de volta seu amado. Somente retornava à taba quando o sol se punha e depois de olhar uma última vez, tentando distinguir no entardecer o perfil de Itagibá.
Foram muitas tardes iguais, com a dor da saudade aumentando pouco a pouco. Até que o canto da araponga ressoou na floresta, desta vez não para anunciar a chuva mas para prenunciar que Itagibá não voltaria, pois tinha morrido na batalha.
E pela primeira vez Potira chorou. Sem dizer palavra, como não haveria de fazer nunca mais, ficou à beira do rio para o resto de sua vida, soluçando tristemente. E as lágrimas que desciam pelo seu rosto sem cessar foram-se tornando sólidas e brilhantes no ar, antes de submergir na água e bater no cascalho do fundo.
Dizem que Tupã, condoído com tanto sofrimento, transformou suas lágrimas em diamantes, para perpetuar a lembrança daquele amor.
(Extraído de: Alfabetização: livro do aluno / Ana Rosa Abreu ... [et al.] Brasília: FUNDESCOLA/SEFMEC, 2000. 3 v.: 128 p. n. 2.)


7. Após a leitura da lenda acima, é possível deduzir que:
a) O texto narra a exploração dos madeireiros nas regiões protegidas pelos indígenas brasileiros.
b) A história chama a atenção para as invasões de terras indígenas em muitas partes do Brasil.
c) A história narra de maneira poética o drama amoroso vivenciado pelos personagens indígenas.
d) A história relata o amor impossível vivenciado entre dois jovens indígenas de tribos diferentes.
=> Potira e Itagibá são dois indígenas que se amam e se casam. Mas seu relacionamento é interrompido quando Itagibá vai para a guerra e não volta mais.
A história não relata um amor proibido ou fala de exploração ou invasões das terras indígenas pelos brancos.

Recursos verbais e não verbais

1. Leia os textos observando as partes verbais e não verbais. A seguir, responda:
Quando for jogar algo fora, repense!

a) Texto não verbal: o que a imagem sugere?
A imagem sugere que o planeta é nossa casa, então quando jogamos algo fora, estamos sujando nossa própria casa.

b) Texto verbal e não verbal: são complementares?
Sim, a imagem completa o sentido do texto.

c) O texto não verbal auxilia a compreensão do texto verbal? Como?
Sim, a imagem do planeta Terra indica que ele é a nossa casa. Então, não é possível jogar algo fora de fato.

d) A imagem poderia ser substituída? Por quê?
Não, porque a imagem e o texto são complementares, assim um depende do outro para completar o sentido pretendido.

2. O futuro depende das decisões tomadas hoje, somos autores da nossa própria história. Você conhece os 5 Rs da sustentabilidade? Leia o texto:
Os 5 Rs consistem em cinco palavras: repensar, recusar, reduzir, reutilizar e reciclar:
Repensar: é preciso repensar nossa relação com o meio ambiente e as nossas práticas diárias para promover a sustentabilidade.
Recusar: é preciso uma postura de consumidor crítico em relação à oferta de produtos.
Reduzir: o consumidor crítico é aquele que se pergunta “eu preciso realmente disso?”
Reutilizar: é possível utilizar novamente alguns objetos que seriam descartados.
Reciclar: reaproveitar um produto de modo que ele se torne matéria-prima para a fabricação de outro objeto. Colocando em prática os 5 Rs, teremos ações comprometidas com o futuro de todos.

3. A seguir, estão disponibilizadas algumas imagens que remetem à sustentabilidade. Para cada imagem, produza uma legenda, seguindo o exemplo:
 A redução da emissão de gases poluentes é fundamental para a diminuição do aquecimento global.

a. 
É importante separar o lixo orgânico do material reciclável para diminuir a poluição.

b. 
A cooperação de toda a sociedade é essencial para proteger o planeta.

c. 
O uso da força dos ventos é uma opção sustentável de produção de energia, pois é menos poluente.

d. 
O aquecimento global está causando descongelamento das calotas polares, prejudicando os ursos polares.


4. Leia o texto e responda às questões:

a) Na comunidade, o abandono de animais é um problema? Por quê?
Sim, é um problema para a comunidade porque os animais abandonados atrapalham, incomodam e podem causar acidentes ou transmitir doenças, já que não estão sendo cuidados por um adulto ou médico.

b) Como ajudar a resolvê-lo?
É preciso denunciar casos de abandono e maus tratos, e aumentar as multas.
Outra medida é a realização de campanhas para evitar que pessoas abandonem seus animais de estimação.

c) Que medidas para combater o abandono de animais a propaganda divulga?
Quem vê precisa denunciar, e quem pratica esse ato precisa ser multado ou preso.


5. Leia o texto:
A questão colocada em debate pela propaganda é:
a) A presença de áreas verdes.
b) O combate à dengue.
c) A situação precária dos trabalhadores.
d) O descarte correto de lixo.
=> O slogan "todo lixo tem destino certo" indica que o anúncio divulga a ação da prefeitura de São Paulo de fazer o descarte correto do lixo.

6. Veja a imagem abaixo:

(Extraído de: https://unsplash.com/photos/2UwUb8GETy4. Acesso em 15 jun 2020)
Assinale a alternativa correta sobre esta imagem:
a) É uma imagem da qual não se pode fazer nenhum tipo de interpretação.
b) A imagem pode ser uma metáfora do livro como moradia dos leitores.
c) É apenas um livro em uma determinada posição, sem sentido algum.
d) A imagem aborda a questão da falta de livros nas moradias brasileiras.
=> Na imagem, o livro foi representado com características de uma casa (com portas e janelas) justamente para sugerir que o livro pode ser uma moradia para os leitores, ou seja, um lugar de acolhimento.

7. A imagem a seguir foi publicada pelo site das Nações Unidas durante a pandemia de 2020:
(Extraído de: https://unsplash.com/photos/fWYgXKMCqo0 Acesso em: 15 jun 2020.)
Assinale a alternativa correta quanto à interpretação da imagem:
a) Diz respeito à importância do distanciamento social.
b) Diz respeito à importância de lavar as mãos constantemente.
c) Diz respeito à rapidez da transmissão do vírus Covid 19.
d) Diz respeito à campanha pelo uso de máscaras de proteção.
=> O símbolo do espaço (tecla "space"), usado na imagem, faz referência ao distanciamento social, tão essencial nesse momento de pandemia. 

8. A foto abaixo é a de um protesto ocorrido em 2020, na cidade de Paris, sobre o racismo. Na faixa, lê-se: vidas negras importam.
(Extraído de: https://unsplash.com/photos/4X66S6Asp-A Acesso em: 15 jun 2020.)
Ao cortar parte da Torre Eiffel e desfocá-la, nota-se que autor da foto:
a) Não reconhece que esta torre é um dos pontos turísticos mais visitados do mundo.
b) Dá mais destaque à frase “Vidas negras importam” e aos participantes do protesto.
c) Atribuiu mais importância à torre Eiffel do que aos protestos ocorridos contra o racismo.
d) Usa a torre como um símbolo histórico de luta contra a discriminação na França.
=> Na imagem, o foco está na mensagem do cartaz e nos participantes do protesto, em detrimento da Torre Eiffel, importante ponto turístico de Paris. É um contraponto que destaca o quanto esses protestos são importantes.

quinta-feira, 30 de julho de 2020

Estudantes e Professores da Rede Municipal participam de curso online para combater as “Fake News”

    Curso 100% gratuito terá início na próxima quarta-feira (8), e será oferecido por instituições parceiras com apoio do Programa Imprensa Jovem.
    Na próxima quarta-feira, 8 de abril, estudantes e cerca de 200 Professores da Rede Municipal de Ensino de São Paulo iniciarão um curso online para entender e combater a desinformação e as “Fake News” (notícias falsas) nos diferentes meios de comunicação.
    A iniciativa faz parte de uma parceria do programa Imprensa Jovem, da Secretaria Municipal de Educação, com a equipe da plataforma digital “Vaza, Falsiane!”. Ação também recebe apoio do programa Educamídia, pertencente ao Instituto Palavra aberta.
    O curso será realizado de forma online e gratuita na plataforma “Vaza, Falsiane!”, dividido em 13 módulos. Dentre os temas a serem estudados, estão: “Como saber se é verdade o que ouvi dizer?”; “Abrindo a caixa preta do WhatsApp”; “Como usar o diálogo para combater as notícias falsas?”; e “O mercado lucrativo das notícias falsas”. [...].
    A abertura será feita na forma de uma Webinar, uma videoconferência para professores, estudantes e famílias. A ideia é complementar o curso fazendo videoconferências pela plataforma de vídeos do YouTube, pois facilita o compartilhamento das informações em outros meios de comunicação. Serão realizadas quatro webinars, nos dias: 10, 17, 25 de abril e 1 de maio, sempre às sextas-feiras, às 16h.
    Outra iniciativa interessante protagonizada pelos estudantes educomunicadores da Rede Municipal de Ensino é a produção de materiais com dicas para não cair em fake news. Eles receberão uma consultoria especializada da equipe do Programa Educamídia e os estudantes criarão onze materiais para serem utilizados como estratégias de compartilhamento no Instagram e WhatsApp, para diferentes públicos.
     O Coordenador do Núcleo de Educomunicação da SME, Carlos Lima, comentou sobre a iniciativa. “Em um ambiente propício a propagação das ’Fake News’, oferecer a oportunidade de formação a professores e estudantes é importante. O curso irá promover a alfabetização midiática informacional e possibilitará a formação de professores e estudantes mediadores nos grupos de famílias do WhatsApp e outros meios de comunicação”, finaliza Carlos.
[...]

1. Após a leitura, concluímos que o tema central do texto é informar aos leitores sobre:
a. Os prejuízos causados pelo compartilhamento de fake news.
b. Como a plataforma “Vaza, Falsiane!” pode orientar no combate as fake news.
c. O curso que professores e estudantes municipais farão para aprender a combater as fake news.
d. As datas que ocorrerão as quatro webinars, videoconferências para alunos e professores.
=> A ideia central de um texto costuma aparecer logo nas suas primeiras, e o título é um indicador do tema central. As outras informações, como o prejuízo das fake news, o uso da plataforma digital "Vaza, Falsiane!" e as datas dos eventos, são ideias secundárias.

2. O curso divulgado pretende combater a desinformação e as “Fake News”:
a. Nos diferentes meios de comunicação.
b. Nos grupos de aplicativos de mensagens de textos, criados pelos familiares.
c. Nos grupos de aplicativos de mensagens de textos, usados pelos estudantes.
d. Nas redes sociais, onde ocorre a maior circulação de fake news.
=> O seguinte trecho comprova isso: "entender e combater a desinformação e as “Fake News” (notícias falsas) nos diferentes meios de comunicação".

3. De acordo com o texto, entre os temas a serem estudados estão:
a. “Como saber se é verdade o que ouvi dizer?”; “Como espalhar fake news pelo WhatsApp”; “Como usar o diálogo para divulgar as notícias falsas”; “O mercado lucrativo das notícias falsas”.
b. “Como saber se é verdade o que ouvi dizer?”; “Abrindo a caixa preta do WhatsApp”; “Como usar o diálogo para espalhar as notícias falsas”; “O mercado lucrativo das notícias falsas”.
c. “Como saber se é verdade o que ouvi dizer?”; “Como viralizar uma notícia falsa”; “Multiplicando notícias falsas pelos aplicativos”; “O mercado lucrativo das notícias falsas”.
d. “Como saber se é verdade o que ouvi dizer?”; “Abrindo a caixa preta do WhatsApp”; “Como usar o diálogo para combater as notícias falsas”; “O mercado lucrativo das notícias falsas”.

4. Segundo o texto, a ideia de completar o curso fazendo videoconferências por plataformas digitais, como o YouTube:
a. Dificulta o compartilhamento das informações em outros meios de comunicação.
b. Facilita o compartilhamento das informações em outros meios de comunicação.
c. Interrompe o compartilhamento das informações em outros meios de comunicação.
d. Impossibilita o compartilhamento das informações em outros meios de comunicação.
=> O trecho que comprova a resposta: "A ideia é complementar o curso fazendo videoconferências pela plataforma de vídeos do YouTube, pois facilita o compartilhamento das informações em outros meios de comunicação."

5. A produção de materiais pelos estudantes da Rede Municipal de Ensino, segundo o texto, são:
a. Exercícios de leitura e interpretação de textos.
b. Materiais diversos para evitar compartilhar fake news.
c. Materiais que orientam como divulgar fake news.
d. Materiais específicos para uso de adolescentes.
=> Os estudantes produzirão materiais com dicas para não cair em fake news e para serem utilizados como estratégias de compartilhamento no Instagram e WhatsApp.

LENDA DE ACOITRAPA E CHUQUILHANTO

    Na cordilheira que fica em cima do vale de Yyucay, em Cusco, pode-se ouvir todos os sons. O vento sopra com sua bocarra; a manhã, obrigada a se levantar sempre antes dos outros, boceja morta de sono; os pássaros, seus eternos namorados, acordam cantando ao ouvi-la se espreguiçar. De repente, silêncio. Acaba de chegar Acoitrapa, o pastor de lhamas. Ele é jovem e belo. Toca a quena* tão docemente, que até as flores mais tímidas se abrem e despontam entre os galhos das árvores para escutá-lo.
    Certa vez, as duas filhas do sol passaram perto de seu rebanho. Encantadas com a música, se aproximaram para ver quem tocava tão bem assim aquele instrumento.
    O pastor ficou deslumbrado ao vê-las. Os três conversaram e riram, sem se preocupar com o correr das horas. Quando o sol se escondeu, as jovens, com muita pena, precisaram se despedir. O pai permitia que passeassem pelo vale, porém ai delas se não chegassem em casa antes do anoitecer!
    Chuquilhanto, a mais velha, se sentiu mais triste que sua irmã. Sem saber como, se apaixonara por Acoitrapa.
    Chegando ao palácio, Chuquilhanto não quis comer. Correu para o quarto, a fim de ficar sozinha. Deitou-se, fechou os olhos, ficou se lembrando de seu doce pastor, e então adormeceu.
    Em sonhos, viu um belo rouxinol que cantava suave e harmoniosamente. Falou-lhe, então, de seu amor e de seu medo: temia que seu pai considerasse um guardador de lhamas muito pouco para uma filha do sol.
    O rouxinol, comovido pela aflição da jovem, lembrou-lhe que no palácio havia quatro fontes de água cristalina: se ela se sentasse no meio delas cantando o que o seu coração sentia, e as fontes lhe respondessem com a mesma melodia, significava que poderia fazer sua vontade e que seus desejos seriam atendidos.
    Chuquilhanto acordou. Lembrava-se perfeitamente do sonho. Vestiu-se depressa e foi aos jardins do palácio. Ali estavam as fontes, dando de beber à manhã.
    Seguindo as instruções do passarinho, Chuquilhanto sentou e começou a cantar uma triste melodia. As fontes entenderam a sua angústia e manifestaram isso cantando em uníssono, consentindo, portanto, em ajudá-la Chamaram a chuva e ordenaram-lhe que transmitisse ao pastor o carinho que Chuquilhanto sentia por ele.
    A chuva saiu a cântaros do palácio, em direção à choupana de Acoitrapa. Ao encontrá-lo, banhou-lhe o coração com a imagem da jovem.
    O pastor, com o peito traspassado pela saudade da princesa, se pôs a tocar sua quena, com tanta tristeza, que até as frias pedras se comoveram. Desolado, compreendeu que o sol jamais permitiria que a filha se casasse com um pobre guardador de lhamas.
    Mas, que cansada estava sua alma de tanto sonhar com Chuquilhanto! Assim, adormeceu com a quena apertada entre os dedos.
    Ao anoitecer, chegou sua mãe. Vendo os olhos do filho cobertos de lágrimas, pressentiu o que estava acontecendo. Como boa velhinha, sabia que um homem só chora dormindo quando está longe de sua amada.
    A velhinha não suportava ver o filho sofrer. Pensando num modo de aliviá-lo, lembrou-se de um velho bastão mágico que herdara de seus antepassados e que serviria perfeitamente a esse propósito. Então, arquitetou um plano; ordenou ao filho que fosse para a montanha, que se ocupasse do rebanho.
    Enquanto isso, Chuquilhanto despertara com os primeiros raios de sol. Agora sentia o coração otimista, os pés leves e um só desejo: encontrar seu amado.
    Apostando corrida com o vento, chegou à choupana de Acoitrapa. Ao ver que ele não estava, seus olhos se encheram de lágrimas. Tratou de disfarçar sua tristeza e se dirigiu à velhinha, que a olhava com atenção:
    — Boa velhinha, tudo na senhora é belo! Jamais vi um basta semelhante a esse que está em suas mãos. Suas pedras preciosas nada têm a invejar dos campos de flores e brilham como a lua cheia.
    — Minha filha — respondeu-lhe a velha —, os seus olhos sabem apreciar o que é belo. De agora em diante, este bastão é seu, sei que o deixo em boas mãos.
    Chuquilhanto agradeceu e, acariciando as alvas tranças da senhora, recebeu o bastão.
    — Obrigada, boa senhora!
    — Adeus, Chuquilhanto — despediu-se a velhinha.
    — Que o amor a acompanhe!
    Chuquilhanto fez o caminho de volta ao palácio.
    Quando cruzou a porta, os guardas, notando a tristeza em seus olhos, se perguntaram em voz baixa:
    — O que estará acontecendo com a princesa que, mesmo possuindo tantas riquezas, tem tanta melancolia?
    Quando, por fim, ficou sozinha em seu quarto, pôs o bastão de lado, se atirou na cama e caiu num pranto desconsolado, pensando em seu pastor.
    De súbito, que susto! Que surpresa! Alguém a chamava pelo nome! Acendeu a lamparina, com cuidado para não fazer o menor ruído, e viu que o bastão mudava de cor: do rosa ao prateado, do verde ao vermelho, laranja, azul e mil tons diferentes. A voz que a chamava provinha do bastão, não havia dúvida.
    — Não se assuste — disse-lhe. — Sou o bastão mágico do amor. Minha missão é unir e proteger os que se amam e sofrem por estar separados.
    Chuquilhanto já não sentia medo. Ao contrário, estava maravilhada. Então, o bastão mágico se abriu como uma flor, no centro da qual apareceu Acoitrapa. Ela se aproximou, abraçaram-se, beijaram-se e, cobrindo-se com finas mantas, dormiram juntos.
    Ao alvorecer, temendo o castigo do sol, os jovens amantes fugiram do palácio. Mas um guarda os viu sair e imediatamente avisou o pai de Chuquilhanto.
    Furioso, o sol se pôs à testa de um grande exército e partiu atrás dos fugitivos. Estes, de longe, escutavam sua voz irada apressando os soldados.
    Depois de se distanciarem do sol e de suas tropas, esgotados pela longa corrida, os jovens pararam para descansar. Sentados sob a folhagem de um altíssimo eucalipto, se olharam: havia amor em seus olhos. Sabendo-se perdidos, porque cedo ou tarde o sol os alcançaria, fizeram um último pedido ao bastão mágico:
    — Transforme-nos em pedra. Assim, nada nem ninguém poderá nos separar.
    O bastão, cuja única missão era unir os que se amam, realizou o último desejo do casal.
    E ainda hoje, perto do povoado de Calca, existem duas estátuas de pedra, que os habitantes da região chamam Pitu Sirai. São Chuquilhanto e Acoitrapa, amando-se para sempre.

*quena: Flauta tradicional de várias regiões dos Andes.

1. Na lenda acima, verifica-se que o maior impedimento dos dois jovens ficarem juntos é:
a. O fato de serem seres diferentes: ele, humano, pastor de ovelhas; ela, filha do sol.
b. Por pertencerem a reinos distintos: ele morava no vale; ela, no palácio junto com o pai.
c. Porque a mãe de Acoitrapa era muito ciumenta e não permitia o casamento do filho.
d. O não consentimento do pai de Chuquilhanto, por Acoitrapa ser um pastor de ovelhas.
=> O trecho do texto que comprova isso é: "Falou-lhe, então, de seu amor e de seu medo: temia que seu pai considerasse um guardador de lhamas muito pouco para uma filha do sol."

2. Muitas histórias de amor, como na leda acima, tratam sobre personagens impedidos de ficarem juntos, devido:
a. ao preconceito social: por pertencerem a classes sociais diferentes.
b. a aparência física: porque são personagens considerados estranhos.
c. a moradia: vivem e pertencem a mundos completamente diferentes.
d. a ciúmes: porque os pais são extremamente egoístas e controladores.
=> O principal impedimento para a realização do amor entre os dois jovens é o fato de eles pertencerem a classes sociais distintas, como comprova o trecho: "o sol jamais permitiria que a filha se casasse com um pobre guardador de lhamas". Não é pelo fato de ela ser filha de um deus, e ele ser um humano; ou por questões de aparência física, moradia ou ciúmes dos pais.

Conto de Escola - trecho (Machado de Assis)

Conto de escola
A escola era na Rua do Costa, um sobradinho de grade de pau. O ano era de 1840. Naquele dia - uma segunda-feira, do mês de maio - deixei-me estar alguns instantes na Rua da Princesa a ver onde iria brincar a manhã. Hesitava entre o morro de S. Diogo e o Campo de Sant’Ana, que não era então esse parque atual, construção de gentleman, mas um espaço rústico, mais ou menos infinito, alastrado de lavadeiras, capim e burros soltos. Morro ou campo?
Tal era o problema. De repente disse comigo que o melhor era a escola. E guiei para a escola. Aqui vai a razão.
Na semana anterior, tinha feito dois suetos*, e, descoberto o caso, recebi o pagamento das mãos de meu pai, que me deu uma sova** de vara de marmeleiro. As sovas de meu pai doíam por muito tempo. Era um velho empregado do Arsenal de Guerra, ríspido e intolerante. Sonhava para mim uma grande posição comercial, e tinha ânsia de me ver com os elementos mercantis, ler, escrever e contar, para me meter de caixeiro. Citava-me nomes de capitalistas que tinham começado ao balcão. Ora, foi a lembrança do último castigo que me levou naquela manhã para o colégio. Não era um menino de virtudes.
Subi a escada com cautela, para não ser ouvido do mestre, e cheguei a tempo; ele entrou na sala três ou quatro minutos depois. Entrou com o andar manso do costume, em chinelas de cordovão, com a jaqueta de brim lavada e desbotada, calça branca e tesa e grande colarinho caído. Chamava-se Policarpo e tinha perto de cinquenta anos ou mais. Uma vez sentado, extraiu da jaqueta a boceta de rapé e o lenço vermelho, pô-los na gaveta; depois relanceou os olhos pela sala. Os meninos, que se conservaram de pé durante a entrada dele, tornaram a sentar-se. Tudo estava em ordem; começaram os trabalhos.
- Seu Pilar, eu preciso falar com você, disse-me baixinho o filho do mestre.
Chamava-se Raimundo este pequeno, e era mole, aplicado, inteligência tarda. Raimundo gastava duas horas em reter aquilo que a outros levava apenas trinta ou cinquenta minutos; vencia com o tempo o que não podia fazer logo com o cérebro. Reunia a isso um grande medo ao pai. Era uma criança fina, pálida, cara doente; raramente estava alegre. Entrava na escola depois do pai e retirava-se antes. O mestre era mais severo com ele do que conosco.
- O que é que você quer?
- Logo, respondeu ele com voz trêmula. [...]

*suetos: folga, descanso
**sova: surra

6. No trecho do conto, o menino decide ir para a escola porque:
a. Tinha prazer em estudar.
b. Tinha medo do pai.
c. Gostava do professor.
d. Tinha muitos amigos na escola.
=>O menino decide ir para a escola porque tem medo de levar outra surra do pai, o que já acontecera quando o menino faltou às aulas sem motivo dias antes.
O trecho que comprova isso: "Ora, foi a lembrança do último castigo que me levou naquela manhã para o colégio."

7. Assinale a alternativa que corresponde à descrição que Pilar faz de Raimundo:
a. Ia muito bem nos estudos, mas tinha a saúde frágil.
b. Gostava muito de estudar e seu pai o elogiava por isso.
c. Tinha medo do pai, o mestre, e dificuldades nos estudos.
d. Ajudava todos os alunos da sala porque fazia a lição logo
=>Segundo Pilar, Raimundo "era mole, aplicado, inteligência tarda. Raimundo gastava duas horas em reter aquilo que a outros levava apenas trinta ou cinquenta minutos; vencia com o tempo o que não podia fazer logo com o cérebro." Além disso, tinha um grande medo ao pai, o professor da turma.

Um Apólogo (Machado de Assis)

Um Apólogo
Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha:
— Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma coisa neste mundo?
— Deixe-me, senhora.
— Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.
— Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.
— Mas você é orgulhosa.
— Decerto que sou.
— Mas por quê?
— É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?
— Você? Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu, e muito eu?
— Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados...
— Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás, obedecendo ao que eu faço e mando...
— Também os batedores vão adiante do imperador.
— Você é imperador?
— Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto...
Estavam nisto quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha e entrou a coser. Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana — para dar a isto uma cor poética. E dizia a agulha:
— Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco? Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e acima...
A linha não respondia nada; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa, como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha, vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a costura para o dia seguinte; continuou ainda nesse e no outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile.
Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E enquanto compunha o vestido da bela dama, e puxava a um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha, para mofar da agulha, perguntou-lhe:
— Ora agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas? Vamos, diga lá.
Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre agulha: — Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico.
Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça: — Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!


1. Assinale a alternativa CORRETA após a leitura global do texto:
a. O “plic-plic-plic-plic” é o som da agulha dentro da caixinha.
b. A costureira, para fazer o vestido, gastou quatro semanas.
c. No dia do baile, a agulha, espetada no vestido, vai ao baile.
d. Quem começa toda a discussão e a provocação é a agulha.
=> É a agulha quem dá início a diálogo ao se dirigir à linha, sugerindo que esta não tem nenhum valor ("Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha: — Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma coisa neste mundo?")

2. Este conto, do escritor brasileiro Machado de Assis, é um apólogo: uma narrativa que geralmente lida com questões morais e os personagens da história são seres inanimados, ou seja, objetos que possuem características humanas, como dialogar, por exemplo. 
Assinale a alternativa extraída do conto onde se verifica um objeto a conversar:
a. “Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça”.
b. “Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.”
c. “— Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!”
d. “Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser.”
=> Esse trecho é uma das falas dita pela linha para se defender das provocações da agulha.

8. Neste apólogo, é possível encontrar a seguinte informação:
a. A linha fica furiosa e xinga a agulha de ordinária.
b. O alfinete disse que fica onde os outros o espetam.
c. O professor de melancolia disse que sabe costurar.
d. A baronesa levou um dos empregados para a festa.
=> O trecho do texto que comprova a resposta: "...um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre agulha: — Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da 

quarta-feira, 29 de julho de 2020

Procon-SP registra mais de 6,5 mil reclamações durante pandemia de COVID-19


Agências de viagens e companhias aéreas lideram os problemas; órgão estadual atua para intermediar os conflitos



    A Fundação Procon-SP informa que, desde o início da pandemia de COVID-19 até o dia 1º de junho, foram registradas mais de 6,5 mil reclamações de consumidores que tiveram problemas relacionados à doença: agências de viagens respondem por 3.418 casos (52%) e companhias aéreas, por 1.617 (25%).
  Há também questões relacionadas a farmácias, lojas e mercados (709 reclamações), instituições financeiras (551), ingressos e eventos (145), programas de fidelidade (91) e cruzeiros (67).
    Além das reclamações, os consumidores também procuram o órgão estadual para tirar dúvidas e fazer denúncias: 3.956 consumidores buscaram o atendimento da instituição com dúvidas e pedidos de orientação relacionados a relações de consumo e o novo coronavírus; já as denúncias de preços abusivos e de outros assuntos recebidas via redes sociais somam 6.115 casos.
    O Procon-SP tem atuado em diversas frentes a fim de minimizar os impactos que a pandemia – que afetou de uma só vez todas as relações de consumo – está causando à população: disponibilização do hotsite coronavírus com material de orientação e informações específicas sobre o tema, canal de denúncias, aulas semanais na TV Procon-SP, reuniões com fornecedores de diversos setores a fim de buscar soluções para os conflitos, fiscalizações de preços abusivos e aplicação de multas aos estabelecimentos que infringem a legislação.
Fiscalização
    As equipes de fiscalização visitaram três mil e setecentas farmácias, supermercados, hipermercados, entre outros estabelecimentos de 216 cidades do estado. Desse total, três mil e trezentos locais (89%) foram notificados a apresentar notas fiscais para verificação da prática de preços abusivos.
    O aumento de preços de itens considerados essenciais neste momento de avanço do novo coronavírus – por exemplo, alimentos, álcool em gel, botijão de gás e máscaras de proteção – prejudica a população e a legislação prevê ser dever do Estado interferir quando observar abusos, e quando for necessário, proteger a parte mais vulnerável.
    O consumidor que se deparar com algum valor de produtos ou serviços relacionados ao coronavírus que considere abusivo, deve registrar reclamação junto ao órgão estadual. A Diretoria de Fiscalização irá apurar a situação e o fornecedor será multado caso a infração seja constatada.
Denúncias e orientações
    O Procon-SP disponibiliza canais de atendimentos a distância para receber denúncias, intermediar conflitos e orientar os consumidores: via internet (www.procon.sp.gov.br), aplicativo – disponível para Android e iOS –
ou redes sociais; para as denúncias, marque @proconsp, indicando o endereço ou site do estabelecimento.

Fonte: Governo do Estado de São Paulo Disponível em:  <https://www.saopaulo.sp.gov.br/ultimas-noticias/procon-sp-registra-maisde-65-mil-reclamacoes-durante-pandemia-de-covid-19/>. Acesso em: 05 jun. 2020

1. O texto acima foi publicado:
a. No site do Governo Federal.
b. No site da Prefeitura Municipal de São Paulo.
c. No site do Governo do Estado de São Paulo.
d. No site do Governo de Minas Gerais.
=> Basta olhar no rodapé a fonte do texto.

2. De acordo com os dados informados pelo Procon, desde o começo da pandemia até 1 de junho, houve mais reclamações em qual setor?
a. Agências de viagens.
b. Lojas e mercados.
c. Companhias aéreas,
d. Ingressos e eventos.
=> O maior número de reclamações ocorreu no setor de agências de viagens, que tiveram 52% dos casos de reclamações.

3. Por que o Governo do Estado fiscalizou e multou estabelecimentos?
a. Porque os consumidores só reclamam e não denunciam os abusos de preços aos órgãos competentes, como o Procon.
b. Porque a legislação diz que é dever do Estado atuar quando há abusos de preços e a população vulnerável é mais atingida.
c. Porque os preços de produtos essenciais à população subiram cerca de 10% após ter começado a nova pandemia.
d. Porque as pessoas compraram muito papel higiênico e isso fez com que os preços de todos os produtos subissem.
=> O trecho do texto que comprova a resposta: "...a legislação prevê ser dever do Estado interferir quando observar abusos, e quando for necessário, proteger a parte mais vulnerável."
Não há no texto a indicação de porcentagem de aumento nos preços dos produtos essenciais. Então, o item C não se comprova.


4. Segundo a notícia, como os consumidores podem fazer contato com o Procon para reclamar ou denunciar quando encontrarem preços abusivos?
a. Pelo site da empresa, pelo aplicativo ou pelas redes sociais.
b. Discutindo diretamente com o dono do estabelecimento.
c. Por meio das redes sociais ou enviando um e-mail à empresa.
d. Ligando para o Procon ou enviando mensagens por aplicativo.
=> "O Procon-SP disponibiliza canais de atendimentos a distância para receber denúncias, intermediar conflitos e orientar os consumidores: via internet (www.procon.sp.gov.br), aplicativo – disponível para Android e iOS –
ou redes sociais."

5. A ilustração a seguir faz parte de uma campanha feita pelo site das Nações Unidas e diz respeito à pandemia do vírus Covid-19.
Ilustração criada por Sukriti Banthiya. Unsplash
Assinale a alternativa que faz uma leitura CORRETA da imagem:
a. A ilustração demonstra a importância dos amigos durante a pandemia da covid-19 no Brasil.
b. A ilustração informa sobre o afastamento entre as pessoas e o uso de máscaras de proteção.
c. A ilustração ensina ao leitor como fazer uma máscara caseira para se proteger do coronavírus.
d. A ilustração informa aos leitores que as pessoas podem se cumprimentar de qualquer modo.
=> Notamos na ilustração que, quanto mais as pessoas estão afastadas e de máscaras, mais a curva de contaminação se atenua (fica mais achatada), indicando que menos pessoas estão sendo contaminadas com o passar do tempo.

Padrões ortográficos

1. Leia a propaganda abaixo para depois assinalar a alternativa correta de cada questão:

2. Na propaganda, “edifício” recebe acento porque é uma palavra paroxítona terminada em ditongo, como as palavras Már-cia e co-mér-cio. Assinale a alternativa em que as palavras têm essa mesma regra de acentuação:
a. Patrícia, escola.
b. Prédio, sacada.
c. Fantástico, só.
d. História, gênio.
=> Essas palavras também são paroxítonas (sílaba tônica é a penúltima) terminadas em ditongo.
his - TÓ - ria
GÊ - nio


3. Na propaganda acima, palavra “arranha” se escreve com dois erres (RR). O som desse dígrafo (RR) também é o mesmo nas seguintes palavras: carro, guerra e terra. Assinale a alternativa em que a lacuna na palavra
deve ser preenchida com dois erres:
a. O __emédio só pode ser vendido com receita médica.
b. Para melhora___ a ortografia, leia textos variados.
c. A to__e da igreja era o prédio mais alto do bairro.
d. A a__anha causou medo quando apareceu na janela.
=> A palavra "torre" é escrita com dois erres (RR) porque o som é de R inicial e ocorre entre duas vogais.

4. Na frase “Participe da live”, há a presença da palavra estrangeira “live”, que significa “ao vivo”, ou seja, transmitido em tempo real, no momento em que ocorre algo. Assinale a alternativa em que a expressão “ao vivo” NÃO tem o mesmo significado de “live”:
a. O canal de vídeos transmitiu os protestos ao vivo ontem pela internet.
b. Foram feitas homenagens ao vivo que voltou da guerra arrependido.
c. A cantora abriu as portas de sua casa para fazer o show ao vivo na tv.
d. O Dj estava ao vivo quando fez a apresentação na sacada do prédio.
=> Nessa frase, "ao vivo" se refere literalmente ao indivíduo que está vivo, que sobreviveu à guerra.

5. Ainda com relação à propaganda, verifica-se que a palavra “horas” está corretamente abreviada com um único “h” (15h), apesar de se referir a um número no plural. Assinale a alternativa em que a abreviatura dessa palavra também está CORRETA.
a. Hoje o atleta fez 8h de treino.
b. Às 20hs meus amigos chegaram.
c. Era 1:00hr quando o fone tocou.
d. Em Lisboa, a aula começa 9hrs.
=> A abreviatura de "hora" ou "horas" sempre deve ser feita com um único "h", sempre no singular.

6. Na propaganda, a palavra “céu” está acentuada. Na ortografia atual do português, acentuamos os ditongos abertos ‘eu’, ‘ei’ e ‘oi’ apenas das palavras oxítonas, não mais das palavras paroxítonas. Assinale a alternativa que NÃO contém erro de acentuação.
a. Sempre há uma ideia nova.
b. Muitos fazem ações heróicas.
c. O menino faz geléia caseira.
d. O heroi estava entre o povo.
=> De acordo com o Novo Acordo Ortográfico, não se acentuam mais as paroxítonas terminadas em ditongos abertos. Assim, a grafia correta das palavras acima é: "ideia", "heroicas", "geleia" e "herói" (esta última é oxítona).

7. A palavra “icônico” é proparoxítona. Assinale a alternativa em que todas as palavras são também proparoxítonas:
a. lamentável, tônico.
b. melancia, áspero.
c. parabólica, típico.
d. próximo, farmácia.
=> A sílaba tônica de cada uma dessas duas palavras é a antepenúltima. Veja:
pa - ra - BÓ - li - ca
TÍ - pi - co
Logo, elas são proparoxítonas.

8. Na propaganda, há a palavra “hoje”, cuja letra inicial “h” não tem valor sonoro, isto é, não é pronunciada. Já quando a letra “h” aparece no meio da palavra, ela é um dígrafo: duas letras que representam um único som, como em “abelha”. Assinale a alternativa em que a letra forma um dígrafo:
a. Habilidade.
b. Hoje.
c. Horóscopo.
d. Bilhete.
=> A letra "h" aparece no meio da palavra, formando o dígrafo "lh".

O Bom Juiz (Figueiredo Pimentel)

O Bom Juiz
Zenóbio era empregado da Limpeza Pública; – exercia tão baixo cargo porque não encontrara de pronto outra colocação e necessitava sustentar uma numerosa família. Trabalhava alegremente, sem se importar com
os tolos preconceitos sociais, porque era um desses homens sensatos que pensam, com justa razão, que é o homem que nobilita* o emprego, e não o emprego que nobilita o homem. Há varredores honrados, do mesmo modo que há ministros desonestos.
Um dia em que estava varrendo uma rua pouco frequentada, achou uma bolsa contendo cem mil-réis. Em vez de ficar com o achado, como era honesto, procurou o dono, e tanto fez que o encontrou.
Mas esse homem, que era um negociante, sovina, avaro e miserável, em vez de ficar agradecido, retirou de dentro dez mil-réis, e acusou o varredor de ter roubado.
Foram à justiça.
O juiz, um bom, honrado e digno magistrado, ouviu a acusação, e depois, a defesa. Em seguida, sentenciou da seguinte forma:
– O comerciante diz que perdeu uma bolsa com cem mil-réis, e que o varredor Zenóbio a achou. Ele, pelo seu lado, diz que a entregou sem conferir, tal como a havia encontrado. Ora, como a bolsa contém noventa e não cem mil-réis, que o negociante alega, claro está que não é esta. Assim, mando que entregue a bolsa ao varredor, e deverá pagar ainda por cima as custas.
Zenóbio ficou muito satisfeito, ao passo que o outro ainda teve que gastar mais dinheiro, para castigo de sua ganância e perversidade.

*nobilitar: tornar-se nobre; crescer em dignidade.

                                 PIMENTEL, Figueiredo. Histórias da avozinha. S.d. p. 67.

1. Após a leitura global do texto, é possível deduzir que:
a. O apego extremo ao dinheiro vale a pena.
b. A honestidade é uma qualidade humana.
c. É preciso desconfiar de quem é honesto.
d. Devemos confiar em todas as pessoas.
=> O texto tem o objetivo de passar a lição de que ser honesto vale a pena, pois o varredor devolve o dinheiro que achou e ainda é recompensado por isso. Já o negociante acaba pagando caro por ser desonesto.

2. Assinale a alternativa correta quanto à decisão final do juiz:
a. ele concluiu que o comerciante dizia a verdade.
b. ele solicitou que Zenóbio pedisse desculpas.
c. ele mandou prender o comerciante mentiroso.

d. ele concluiu que Zenóbio dizia a verdade.
=> O juiz entende que, como a bolsa do comerciante tinha inicialmente cem mil-réis, a bolsa com noventa, não era a dele. Logo, o varredor dizia a verdade, e o comerciante é quem estava mentindo.

"A onça", retirado da obra O Saci, de Monteiro Lobato

A Onça
    O miado soou de novo, desta vez bem perto, e logo depois surgiu por entre as folhas a cabeça de uma formidável onça-pintada. Era um animal de extrema beleza, quase tão grande como o tigre de Bengala. Parou;farejou o ar. Depois ergueu os olhos para a árvore. Dando com o menino e o saci lá em cima, soltou um rugido de satisfação, como quem diz: “Achei o meu jantar! ” E tentou subir à árvore. Vendo que isso lhe era impossível, sacudiu o tronco tão violentamente que por um triz Pedrinho não veio abaixo, como se fosse jaca madura. Mas não caiu, e a onça, desanimada, resolveu esperar que ele descesse. Sentou-se nas patas traseiras e ali ficou quieta, só movendo a cauda e passando de quando em quando a língua pelos beiços.
    — Ela é capaz de permanecer nessa posição três dias e três noites — disse o saci. — Temos que inventar um meio de afugentá-la.
    Olhou em redor, examinando as árvores como quem está com uma ideia na cabeça. Depois saltou para a mais próxima e foi de copa em copa até uma que estava cheia de vagens. Escolheu meia dúzia das mais secas e voltou para junto do menino.
    — Apare nas mãos o pó que vou deixar cair destas vagens. — disse ele, abrindo com os dentes uma delas.
    Pedrinho estendeu as mãos em forma de cuia e o saci sacudiu dentro um pó amarelado. O mesmo foi feito com as outras vagens.
    — Bem. Agora derrame este pó bem a prumo, de modo que vá cair sobre a cara da onça.
    Pedrinho colocou-se em linha vertical com a fera e derramou de um jato o pó amarelo.
    Foi uma beleza aquilo! Quando o pó caiu sobre os olhos da onça, ela deu tamanho pinote que foi parar a cinco metros de distância, sumindo-se em seguida pelo mato adentro, a urrar de dor e a esfregar os olhos como se quisesse arrancá-los.
    Pedrinho deu uma risada gostosa.
    — Que diabo de pó é este, amigo saci? — perguntou. — Vejo que vale mais que uma boa carabina...
    — Isso se chama pó-de-mico. Arde nos olhos como pimenta e dá na pele uma tal coceira que a vítima até se coçará com um ralo de ralar coco, se o tiver ao alcance da mão.

    Pedrinho escorregou da árvore abaixo, ainda a rir-se da pobre onça. Mas não se riu por muito tempo. Mal tinha dado alguns passos, recuou espavorido.

1. A onça aguarda Pedrinho e saci descerem da árvore:
a. Ansiosa, já que Pedrinho e saci passam o dia esperando.
b. Furiosa, já que Pedrinho e saci se recusam a descer.
c. Desanimada, já que não conseguiu derrubar Pedrinho e saci.
d. Sonolenta, já que sente muita preguiça com a espera.
=> O trecho do texto que comprova isso é: "Mas não caiu, e a onça, desanimada, resolveu esperar que ele descesse."

2. Ao ver Pedrinho e saci empoleirados na árvore, a onça:
a. Sobe na árvore.
b. Sacode o tronco da árvore.
c. Desiste da caçada.
d. Agita-se intimidando Pedrinho e o saci.
=> A onça, ao vê-los sobre a árvore, tenta subir nela, mas não consegue. Por isso começa a sacudir o tronco ("E tentou subir à árvore. Vendo que isso lhe era impossível, sacudiu o tronco...")

3. Ao perceberem que a onça permanece sentada, aguardando Pedrinho e saci descerem da árvore, o que acontece?
a. Pedrinho tem uma ideia mirabolante.
b. Saci cria um redemoinho, um pé de vento.
c. Pedrinho usa o bodoque.
d. Saci usa o pó amarelo de uma vagem.
=> O Saci sai pulando de copa em copa até encontrar uma com muitas vagens.
Depois pede para Pedrinho aparar nas mãos o pó amarelo retirado das vagens.

4. O que obriga Pedrinho e saci a criarem uma estratégia para tirar a onça debaixo da árvore e afastá-la é:
a. O saci saber que a onça pode ficar muito tempo esperando.
b. Pedrinho ter medo de altura e não conseguir ficar protegido na árvore.
c. O saci ter outras atividades importantes na mata.
d. Pedrinho ouvir os chamados de Narizinho.
=> A fala do Saci que comprova a resposta: "— Ela é capaz de permanecer nessa posição três dias e três noites — disse o saci. — Temos que inventar um
meio de afugentá-la."

5. O pó amarelado, retirado das vagens, afasta a onça. Isso ocorre por quê?
a. O pó paralisa a onça.
b. O pó encolhe a onça, deixando-a do tamanho de um filhote.
c. O pó deixa Pedrinho e saci invisíveis.
d. O pó arde ao entrar em contato com os olhos. 
=> O pó amarelado das vagens era pó-de-mico. O Saci explica: "Arde nos olhos como pimenta e dá na pele uma tal coceira que a vítima até se coçará com um ralo de ralar coco, se o tiver ao alcance da mão.")