Identificar a proposta defendida pelo autor em um texto, considerando a tese apresentada e a argumentação construída.
1. (Uemg 2017) Uma pessoa verdadeiramente forte
A gente costuma ouvir que uma pessoa é forte, que tem gênio forte, quando ela reage com grande violência em situações que a desagradam. Ou seja, a pessoa de temperamento forte só está bem e calma quando tudo acontece exatamente de acordo com a vontade dela. Nos outros casos, sua reação é explosiva e o estouro costuma provocar o medo nas pessoas que a cercam.
As pessoas que não toleram frustrações, dores e contrariedades são as fracas, e não as fortes. Fazem muito barulho, gritam, fazem escândalos e ameaçam bater. São barulhentas e não fortes. O forte é aquele que ousa e se aventura em situações novas, porque tem a convicção íntima de que, se fracassar, terá forças interiores para se recuperar.
Ninguém pode ter certeza de que seu empreendimento – sentimental, profissional, social – será bem-sucedido. Temos medo da novidade justamente por causa disso. O fraco não ousará, pois a simples ideia do fracasso já lhe provoca uma dor insuportável. O forte ousará porque tem a sensação íntima de que é capaz de aguentar o revés.
O forte é aquele que monta no cavalo porque sabe que, se cair, terá forças para se levantar. O fraco encontrará uma desculpa – em geral, acusando uma outra pessoa – para não montar no cavalo. Fará gestos e pose de corajoso, mas, na verdade, é exatamente o contrário. Buscará tantas certezas prévias de que não irá cair do cavalo que, caso chegue a tê-las, o cavalo já terá ido embora há muito tempo. O forte é o que parece ser o fraco: é quieto, discreto, não grita e é o ousado. Faz o que ninguém esperava que ele fizesse.
GIKOVATE, F. Disponível em: <http://flaviogikovate.com.br/uma-pessoa-verdadeiramenteforte/# more-540>
A relação entre a tese do texto e os argumentos apresentados pelo autor para sustentar seu ponto de vista é caracterizada pela:
a. Contraposição entre os significados de força e fraqueza.
b. Valorização do fracasso e das frustrações da vida.
c. Distinção entre a ousadia e o medo da novidade.
d. Depreciação de indivíduos considerados fortes.
e. Exaltação daqueles que parecem fortes.
=> A tese defendida pelo autor é de que as pessoas que não toleram frustrações, dores e contrariedades são as fracas, e não as fortes. A partir disso, ele constrói os argumentos para contrapor a ideia do que ele considera ser força e fraqueza.
2. Leia os dois textos abaixo para responder à questão que segue:
Texto 1
A desculpa dada pelos provedores para o fim da internet ilimitada de que a rede não aguenta o volume de dados é esfarrapada. Se a rede não aguenta, aumentem a rede! O que deve estar acontecendo é a perda significativa de assinantes de TV a cabo para serviços como a Netflix. A solução óbvia para os provedores é tentar barrar essa tendência. No Brasil, a Anatel faz o jogo das grandes empresas, e não o dos consumidores.
(R. R. – São Paulo, SP.)
Texto 2
O Brasil possui rede de banda larga com capacidade reduzida, velocidade ridícula e qualidade medíocre de sinal. Em lugar de utilizar as receitas oriundas dos preços exorbitantes pagos por seus usuários para aumentar a infraestrutura da rede e a qualidade e a velocidade do sinal, as operadoras, em abjeto conluio com a espúria agência dita reguladora, vão pelo caminho obviamente mais fácil: limitar a quantidade de dados movimentados.
(A. O. B. N. – Ribeirão Preto, SP. Folha de S. Paulo, 26/04/2016, p. A3. Fac. Pequeno Príncipe – 2016 - adaptado).
A leitura das duas opiniões de leitores sobre o mesmo tema permite inferir CORRETAMENTE que:
a. Enquanto o primeiro levanta uma hipótese para o motivo da limitação de dados na rede, o segundo limita-se a reclamar da situação.
b. Os dois textos perdem a validade argumentativa pela linguagem de baixo calão empregada para caracterizar os provedores de banda larga.
c. Ambos creditam à agência reguladora da telefonia um comportamento que vai contra as necessidades do consumidor.
d. O primeiro texto sugere uma solução para o problema do volume de dados e o segundo apresenta uma argumentação mais branda com os provedores.
e. Serviços como a Netflix, referida no primeiro texto, são perigosos aos consumidores, pois impedem a manutenção da banda larga.
=> Tanto o texto 1 quanto o texto 2 apontam a agência reguladora Anatel de se associar às grandes empresas de provedores, atendendo a seus interesses, em vez de se preocupar com os interesses dos consumidores.
Observe os trechos:
"a Anatel faz o jogo das grandes empresas, e não o dos consumidores."
"em abjeto conluio com a espúria agência dita reguladora"
3. (Enem - Libras- 2017):
Entre as características do anúncio publicitário, destaca-se o uso de argumentos construídos em função de interlocutores específicos, em vista dos propósitos comunicativos previstos. Nesse anúncio, os procedimentos argumentativos utilizados indicam que o objetivo do texto é:
a. Convidar o leitor a identificar palavras relacionadas à prevenção da doença.
b. Chamar a atenção do público leitor para as vantagens da vacinação.
c. Convencer as pessoas a divulgarem a campanha na internet.
d. Alertar a população sobre os riscos do HPV para a saúde.
e. Associar a vacinação à imagem de indivíduos inteligentes.
=> O anúncio é sobre a vacina contra o HPV. No caça-palavras, estão presentes termos relacionados às vantagens da vacinação, como "imunização", "prevenção" e "proteção".
O uso do caça-palavras é apenas um recurso lúdico, não é de fato um pedido para o leitor ficar procurando as palavras nem testar sua inteligência.
4. (Enem PPL 2015)
Manter as contas sob controle e as finanças saudáveis parece um objetivo inatingível para você? Tenha certeza de que você não está sozinho. A bagunça na vida financeira compromete os sonhos de muita gente no Brasil. É por isso que nós lançamos, pelo terceiro ano consecutivo, este especial com informações que ajudam a encarar a situação de forma prática. Sem malabarismos – mas com boa dose de disciplina! – é possível quitar as dívidas, organizar os gastos, fazer planos de consumo que caibam em seus rendimentos mensais e estruturar os investimentos para fazer o dinheiro que sobra render mais. Ter dinheiro para viver melhor está diretamente relacionado à sua capacidade de se organizar e de eleger prioridades na hora de gastar. Aceite o desafio e boa leitura! Você S/A, n. 16, 2011 (adaptado).
No trecho apresentado, são utilizados vários argumentos que demonstram que o objetivo principal do produtor do texto, em relação ao público-alvo da revista, é:
a. Conscientizar o leitor de que ele é capaz de economizar.
b. Levar o leitor a envolver-se com questões de ordem econômica.
c. Ajudar o leitor a quitar suas dívidas e organizar sua vida financeira.
d. Persuadir o leitor de que ele não é o único com problemas financeiros.
e. Convencer o leitor da importância de ler essa edição especial da revista.
=> O texto inicia prometendo ao leitor dicas de como economizar e investir melhor seu dinheiro. Isso poderá ser obtido por meio da leitura da revista, o que fica mais claro no final, onde se lê: "Aceite o desafio e boa leitura!".
A intenção é atrair o leitor para ler a matéria, onde de fato serão dados mais detalhes de como o leitor pode organizar melhor sua vida financeira.
5. (Uepa 2012)
Lorotas que os pais contam
Todos querem ter filhos honestos. Mas, ao mesmo tempo em que dizem valorizar a integridade dos filhos, pais mentem na frente deles.
O telefone toca e a mãe fala para dizer que não está em casa. A avó dá um presente chato, e o pai ensina
que se deve fingir que adorou. Isso influencia a criação dos filhos? Sim, diz Robert Feldman, da Universidade de Massachusetts. "Assim, passamos a mensagem de que é certo mentir em algumas situações." E as crianças são espertas – aos 3 ou 4 anos já são capazes de entender que algo não é verdade. Mas é possível evitar essas mentiras na criação dos filhos? O psicólogo acredita que não. "Você quer que as crianças cresçam com habilidades sociais, não que sejam o tipo de pessoa que diz para a outra que tem um nariz grande." Ou seja: ser honesto é importante, mas educado e gentil também. O problema é partir sempre para mentiras, o que é mais fácil do que dar satisfações. Pais que fazem isso perdem a confiança das crianças, afirma Victoria Talwar, da Universidade McGill, Canadá. E tem mais. Elas aprendem que mentir é uma estratégia eficaz para obter o que querem.
(Revista Super Interessante. Edição 294-A, ago./2011, p. 30. Texto adaptado)
O argumento usado pelo autor para mostrar que os pais agem por comodismo se encontra em:
a. Evitar mentir na criação dos filhos.
b. Mentir é uma estratégia eficaz para obter o que se quer.
c. Ser honesto é importante, mas educado e gentil também.
d. Mentir é mais fácil do que dar satisfação.
e. É certo mentir em algumas situações.
=> Esse trecho revela que, muitas vezes, a mentira ocorre por comodismo, para não ter que dar explicações.
6. (Enem 2013)
O que é bullying virtual ou cyberbullying?
[...] É o bullying que ocorre em meios eletrônicos, com mensagens difamatórias ou ameaçadoras circulando por e-mails, sites, blogs (os diários virtuais), redes sociais e celulares. É quase uma extensão do que dizem e fazem na escola, mas com o agravante de que as pessoas envolvidas não estão cara a cara.
Dessa forma, o anonimato pode aumentar a crueldade dos comentários e das ameaças, e os efeitos podem ser tão graves ou piores. "O autor, assim como o alvo, tem dificuldade de sair de seu papel e retomar valores esquecidos ou formar novos", explica Luciene Tognetta, doutora em Psicologia Escolar e pesquisadora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). [...]
(Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/1424/20-o-que-e-bullying-virtual-ou-cyberbullying. Adaptado).
Segundo o texto, com as tecnologias de informação e comunicação, a prática do bullying ganha novas nuances de perversidade e é potencializada pelo fato de:
a. Atingir um grupo maior de espectadores.
b. Dificultar a identificação do agressor incógnito.
c. Impedir a retomada de valores consolidados pela vítima.
d. Possibilitar a participação de um número maior de autores.
e. Proporcionar o uso de uma variedade de ferramentas da internet.
=> Segundo o texto, o que potencializa a prática do bullying na internet é o anonimato ("o anonimato pode aumentar a crueldade dos comentários e das ameaças, e os efeitos podem ser tão graves ou piores"). As pessoas envolvidas nessa situação não estão cara a cara, e o agressor pode se manter incógnito e sem punição.

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